quarta-feira, 26 de março de 2014

Para 9 entre 10 torcedores, Copa deixará imagem negativa.

"Na reedição de uma pesquisa realizada por VEJA em 2011, percepções sobre a organização do Mundial no Brasil ficam ainda piores. E isso é ruim para todos".

Se os resultados da sondagem de três anos atrás já eram ruins, o quadro que se desenha na nova pesquisa é extremamente preocupante para o governo e a Fifa. A visão dos entrevistados sobre a organização do Mundial piorou em absolutamente todas as perguntas repetidas do levantamento anterior
Desde que entrou no Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, há pouco mais de dois anos, o ex-craque Ronaldo foi um pregador incansável do otimismo em relação ao evento — gravou campanha do governo federal, promoveu o torneio no exterior e até apareceu numa célebre propaganda da Brahma, vestido como um Tio Sam verde e amarelo, num cartaz que provocava quem duvida do sucesso do Mundial. Na última terça, porém, Ronaldo mudou de tom e lamentou publicamente o aperto para concluir os estádios a tempo. "Acho uma pena. É o nome do nosso país lá fora. Não é bom passar essa imagem para o mundo", disse, num evento da própria Brahma no Maracanã, o palco da final da Copa. Escalado pela presidente Dilma Rousseff para ser o homem forte do governo no Mundial, o ministro Aldo Rebelo é outro que se abateu com os problemas desta reta final. Se antes zombava das preocupações com os prazos (chegou a dizer, no Senado, que os atrasos eram só "impressão" da população), o ministro agora se mostra alarmado com enroscos como o de Curitiba, que escapou de ser cortada pela Fifa na última terça. "Devemos confiar desconfiando. É preciso trabalhar duro", alertou. Até Jérôme Valcke, o irritadiço francês que serviu de xerifão da Fifa nos preparativos para o evento, tentou levantar a bola do Brasil num passado recente. "É muito difícil entender por que, em um país que vive e respira futebol, algumas poucas pessoas continuam a enxergar apenas aspectos negativos, mesmo que não haja nada de negativo", escreveu, há um ano, num texto divulgado no site da Fifa. Ao anunciar a manutenção de Curitiba entre as doze sedes, na semana passada, num seminário em Florianópolis, Valcke era a personificação do mau humor, destilando azedume a cada declaração sobre os compromissos assumidos — e descumpridos — pelos brasileiros. 

Pesquisa da VEJA: o brasileiro e a Copa-2014


Imagem negativa


Nas duas questões, os porcentuais foram iguais. Em 2011, pessimismo era menor: 79% achavam que a Copa deixaria uma imagem negativa e 78%, que os estrangeiros teriam má impressão.
Vitrine do governo - A percepção negativa do brasileiro em relação à Copa é ruim para todo mundo: para as sedes, que podem ficar sem o retorno financeiro sonhado quando conquistaram um lugar no evento; para a organização, que enfrentará um contexto desfavorável na hora de realizar o torneio; para a Fifa, que se arrisca a comprometer o sucesso de seu produto mais rentável; e para os patrocinadores, que gastaram fortunas para atrelar suas marcas a um Mundial cercado de dúvidas e críticas. Mas ninguém tem mais motivos para se preocupar do que os governos, Estados e municípios, que bancaram nada menos de 93,7% dos 8,9 bilhões de reais gastos até agora nos estádios (a previsão inicial era de 2,6 bilhões). Curiosamente, é quase o mesmo porcentual de pessoas que se dizem contra o uso de dinheiro público na construção e reforma das arenas (94%, contra 85% em 2011). Outro dado é especialmente preocupante para quem apostou tão alto — e torrou tanto dinheiro — nas obras da Copa. Questionados sobre quem será o culpado caso o Mundial seja uma decepção, 94% dos entrevistados apontaram o governo federal, contra apenas 12% que citam a Fifa. Há três anos, o governo era visto como principal responsável pelo evento por 79% das pessoas. A ligação cada vez maior entre a imagem da Copa e o governo, diga-se, é mais do que compreensível. Na tentativa de propagandear a Copa como catalisador do desenvolvimento, principalmente na área de infraestrutura, o Planalto ampliou sua interferência na condução dos preparativos para o evento. Em ano eleitoral, a expectativa era de que a festa serviria de vitrine para projetos de mobilidade urbana e modernização dos aeroportos. O ritmo capenga desses projetos e o cancelamento de alguns deles esvaziaram o argumento oficial em defesa dos gastos com o evento.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/para-9-entre-10-torcedores-copa-deixara-imagem-negativa
Aprimoramento para o assunto em questão "O legado da Copa Brasil 2014"

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